Escritório Carvalhaes - Corretores de Café Rua do Comércio, 55 - 8ª andar - Santos/SP - Brasil - Cep. 11010-141 - Tel. (13) 2102-5778 -23.93422, -46.328565

O contraste da fábula medieval e a virtude do agro tropical

18/08/2026 - Poder 360 / Canal Rural


Trajetória de Roberto Rodrigues simboliza o avanço da agropecuária brasileira, enquanto obra premiada questiona o setor.

Xico Graziano



Na cerimônia, com auditório lotado, Roberto foi efusivamente saudado pela doutora Goret Pereira Paulo, diretora da Rede de Pesquisa e Inovação da FGV. Ao traçar a carreira profissional do homenageado, Goret destacou a criação, em 2006, do FGV Agro (Centro de Estudos do Agronegócio), que se tornou referência acadêmica.

“Para nós, pesquisadores, para a ciência brasileira, somos muito gratos, porque, quando ele era ministro, foi um dos ministros que entendeu a importância da ciência brasileira para continuar evoluindo, para cada vez mais aumentar a produtividade, não só do ponto de vista econômico, mas ambiental e social da agricultura brasileira.”

Aos 84 anos, o carismático Roberto Rodrigues é a maior testemunha viva do processo de modernização tecnológica, expansão e integração produtiva da agropecuária brasileira. Quando ele se formou, em 1965, na Esalq (USP), em Piracicaba (SP), o produtor rural era um caipira isolado dentro de sua fazenda. Hoje, transformou-se em empresário do agronegócio globalizado.

Naquela época, em que o êxodo rural entupia as cidades de gente, esvaziando a roça, temia-se pela crise do abastecimento popular, pois o Brasil importava muito alimento. Agora, depois de 50 anos de evolução, o agro brasileiro assegura comida no mercado interno e lidera as exportações agrícolas globais.

Muitos personagens, uns mais notórios, outros anônimos, participaram dessa incrível jornada que transformou uma agricultura latifundiária, colonial e medieval, de baixa produtividade, em uma potência agroalimentar mundial.

Verdadeiros heróis, cientistas e pesquisadores, engenheiros e economistas, empresários e produtores, homens e mulheres, jovens ousados, foram os empreendedores desse amanhã. A varinha se chama tropicalização. Depois de séculos copiando as técnicas produtivas do exterior, a ciência agronômica desenvolveu sistemas produtivos próprios, adequados ao hemisfério Sul. Mudou assim o paradigma da agropecuária.

Enquanto Roberto Rodrigues, emocionado, chorava ao discursar na FGV oferecendo detalhes dessa bela história, uma notícia divulgava o resultado do Jabuti Acadêmico 2026. O tradicional certame literário acabava de premiar, na categoria de geografia e geociências, o livro “A Produção da Fábula do Agronegócio no Brasil: Novas e Velhas Faces da Dependência “(Letra Capital Editora).

No dia seguinte, investiguei o assunto. O livro premiado, de Denise Elias, desmerece, sem nenhuma exceção, todas as realizações, alegrias e virtudes que nos levaram àquela cerimônia da FGV. De início, a autora escreve que “o agronegócio tem representado um verdadeiro desastre para o Brasil”.

É aterrador. Do começo ao fim, só críticas, problemas, tragédias, sofrimento e injustiças. Nem a fruticultura escapa de suas lamentações. Tudo está errado, equivocado e enviesado. A fábula finaliza dizendo que a expansão do agronegócio é um dos principais fatores que explicam “a alarmante quantidade de pessoas em situação de fome no país”.

É irreal, fantasioso e mentiroso. Segundo a FAO, menos de 2,5% da população brasileira enfrenta fome e só 0,6% vive em situação de insegurança alimentar grave. Jorge Meza, representante da instituição no Brasil, disse em agosto que o país deixou o “Mapa da Fome” por uma “combinação entre a elevada capacidade produtiva do país e políticas públicas de acesso aos alimentos”.

Os jurados do Jabuti Acadêmico premiaram uma obra-prima do pensamento retrógrado, uma fábula medieval que condena o progresso no campo. Ataca a evolução genética, sublimando as antigas sementes crioulas; critica a produção em escala, defendendo a produção camponesa. Proibido o capitalismo agrário. É bizarro.

Nessa visão, os pobres do campo devem continuar calejando as mãos com a enxada, andando de carroça, fazendo paçoca no pilão e matando praga na unha. Enquanto isso, os socialistas da miséria rural vivem confortavelmente.

O contraste entre a cerimônia da FGV, que homenageou Roberto Rodrigues, e essa premiação do Jabuti Acadêmico, expressa um drama da inteligência: o negacionismo ideológico. Pela direita, contra as vacinas; pela esquerda, contra o agronegócio.

A estupidez é a mesma. Contra ela, as evidências.

Cotações de Café

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

 

US$/saca 60 Kg

  • CD Finos
  • Fino/Extra
  • Boa Qualidade

  • Duro Fraco
  • Riados
  • Rio

  • Consumo Dura
  • Consumo Riada
  • NY

Mercado físico:

18/08/2026 - Estável - Cotações Nominais



Indicador de preços OIC - 17/08/2026
- Colombian Mild Arabicas: 385.64
- Brazilian Naturals: 320.83
(US cents por libra)

Fonte: OIC - Organização Internacional do Café

Mercado de Café safra 2026/2027
Cafés Físico Fech. Mín. Máx.
CD Finos 18/08/261,900,002,000,00
Fino/Extra 18/08/261,850,001,900,00
Boa Qualidade 18/08/261,800,001,850,00
Duro Fraco 18/08/261,750,001,800,00
Riados 18/08/261,700,001,750,00
Rio 18/08/261,600,001,700,00
Consumo Dura 18/08/261,500,001,600,00
Consumo Riada 18/08/261,450,001,500,00
por saca 60,5 kg - tipo 6 para melhor (em R$) Fonte: Carvalhaes
Cotações de NY
contrato fech. U$ var. R$
SEP26 18/08/26 363.40 1830  2.510,24 
DEC26 18/08/26 332.45 1455  2.296,45 
MAR27 18/08/26 317.80 1160  2.195,25 
MAY27 18/08/26 312.30 1055  2.157,26 
JUL27 18/08/26 309.25 1010  2.136,19 
SEP27 18/08/26 306.60 960  2.117,89 
U$ cnt / Lb - R$ / saca 60 kg (contrato C)
Cotações da Bolsa de São Paulo (BMF)
contrato fech. U$ var. R$
SEP26 18/08/26 419.00 1340  2.188,02 
DEC26 18/08/26 402.50 1550  2.101,86 
MAR27 18/08/26 395.00 1100  2.062,69 
SEP27 18/08/26 359.90 1395  1.879,40 
por saca 60,5 kg
Cotações da Bolsa de Londres (LIFFE)
contrato fech. U$ var. R$
SEP26 18/08/26 3,755.00 85  19.608,61 
NOV26 18/08/26 3,739.00 95  19.525,06 
JAN27 18/08/26 3,716.00 88  19.404,95 
MAR27 18/08/26 3,685.00 82  19.243,07 
por tonelada - café robusta
cotações do câmbio
moeda un valor data
Dólar Com. R$ 5,2220 18/08/26
Euro US$ 1,1579 18/08/26